Quando a ansiedade aparece, o impulso costuma ser fugir. Cancelar planos, mudar de assunto, distrair a mente, sair de perto do que incomoda. E funciona, pelo menos por alguns minutos. O corpo relaxa, o coração desacelera, a tensão diminui.
O problema é que o alívio imediato cobra um preço alto depois.
A ansiedade não vive só nos pensamentos. Ela se manifesta no corpo e, principalmente, nas escolhas que fazemos para não senti-la. Na Terapia Cognitivo-Comportamental, uma das linhas de tratamento na psicologia mais eficientes para ansiedade, entendemos que evitar pode parecer proteção, mas na verdade mantém o problema vivo.
Toda vez que você evita uma situação, seu cérebro aprende uma lição perigosa: “fugir é a única forma de ficar seguro”. Ele nunca tem a chance de descobrir que você conseguiria lidar com aquilo. Assim, o medo não diminui, mas se fortalece.
O que você evita hoje tende a controlar sua vida amanhã.
No início, a evitação parece inofensiva. Você deixa de ir a um lugar, evita uma conversa, adia uma decisão. Aos poucos, a lista cresce. Situações comuns passam a parecer ameaçadoras. A vida começa a encolher.
A evitação pode ser clara, como não enfrentar situações que geram ansiedade. Mas também pode ser silenciosa: tentar não pensar, ocupar a mente o tempo todo, usar distrações para não sentir. Quanto mais você tenta afastar o desconforto, mais ele insiste em voltar.
Toda vez que você evita, ensina à sua mente que aquilo era perigoso.
A ansiedade promete segurança, mas entrega prisão. Ela diz que fugir vai te proteger, quando na verdade te impede de aprender algo essencial: que o desconforto passa e que você é mais capaz do que imagina.
Enfrentar não significa se expor sem cuidado ou “forçar a barra”. Significa agir apesar da ansiedade, aos poucos, no seu ritmo. Ficar tempo suficiente para que o corpo aprenda algo novo: “isso é desconfortável, mas não é perigoso”.
Coragem não é ausência de ansiedade. É movimento mesmo com medo.
O tratamento para ansiedade trabalha exatamente esse processo: quebrar o ciclo da evitação e construir experiências corretivas. Um psicólogo especialista em ansiedade pode te acompanhar nesse caminho.
Se você tem vivido tentando não sentir ansiedade, talvez seja hora de aprender a viver com ela, sem deixar que ela mande na sua vida.