Quando a preocupação se torna tirania.

“Minha mente não para.”
“É como se tivesse sempre algo pendente.”
“Mesmo cansado(a), não consigo desligar.”

Se alguma dessas frases parece familiar, respira comigo um instante. Talvez o que você chama de preocupação já tenha deixado de ser apenas cuidado, e esteja começando a mandar em você.

Preocupar-se é natural. A ansiedade, em sua forma saudável, nos ajuda a planejar, a antecipar riscos, a dar importância ao que importa. Ela vem, cumpre sua função e vai embora. O problema começa quando ela fica.

Quando a preocupação dura horas, aparece quase todos os dias e invade todos os temas (trabalho, saúde, relações, futuro) ela deixa de ser útil. Em vez de resolver, repete. É como um disco arranhado tocando sempre a mesma música.

Quando a mente não descansa, o corpo sofre.

Com o tempo, o corpo entra em estado de alerta constante. O sono não aprofunda. A tensão não vai embora. A mente corre, mesmo quando você está exausto(a). Parar de pensar parece perigoso, como se baixar a guarda fosse um erro.

Mas ninguém escolhe viver assim.

A preocupação crônica costuma ser aprendida. Muitas pessoas cresceram em ambientes onde estar alerta significava ser responsável. Onde relaxar era visto como descuido. Onde alguém precisou amadurecer cedo demais. Assim, a mente aprende que se preocupar é uma forma de proteção, sem saber dos prejuízos futuros.

A preocupação começa como proteção e termina como prisão.

O problema é que ela promete coisas que não cumpre. Diz que dá controle, que evita surpresas, que protege quem você ama. Na prática, drena energia, aumenta a ansiedade e sabota o desempenho. Quanto mais você se preocupa, menos clareza tem.

A raiz desse ciclo costuma estar na dificuldade de tolerar a incerteza. A mente ansiosa quer garantias absolutas. Porém, vamos ser honestos, certezas absolutas não existem. E como elas não existem, a preocupação nunca se satisfaz.

Tolerar a incerteza é abrir mão do controle para abraçar a paz.

O caminho não é se preocupar melhor, nem eliminar a ansiedade. É aprender a conviver com a incerteza e focar no que está sob seu controle agora. O tratamento para ansiedade ajuda exatamente nisso: mudar a relação com os pensamentos, não lutar contra eles.

Um psicólogo especialista em ansiedade pode te ajudar nesse processo. Se a preocupação tem sido tirana na sua vida, talvez seja hora de dividir esse peso. Você não precisa viver sob o comando da ansiedade.

Gabriel Sena

Gabriel Sena

Psicólogo clínico e pós-graduando em Terapia Cognitivo Comportamental.

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Gabriel Sena Reis Oliveira • Psicólogo CRP 03/20886. Todos os direitos reservados, 2026 ©