Se você chegou até aqui, talvez a ansiedade já faça parte da sua vida de alguma forma. Antes de qualquer explicação técnica, eu quero que você saiba de uma coisa importante: o que você sente faz sentido.
O que é ansiedade, afinal?
A ansiedade é um estado emocional que envolve pensamentos, emoções, sensações físicas e comportamentos. É como se o corpo entrasse em um modo de alerta, reagindo a algo que a mente interpreta como uma possível ameaça. Esse “algo” nem sempre é concreto ou imediato, muitas vezes está no futuro, nas hipóteses, nos “e se…”.
Imagine um alarme de incêndio. Ele não toca porque o prédio inteiro já está em chamas, mas porque identificou um sinal de fumaça e existe a possibilidade de fogo. A ansiedade funciona mais ou menos assim: ela tenta nos avisar antes que algo dê errado, para que possamos evitar os danos.
Por isso, quando estamos ansiosos, o corpo reage: o coração acelera, a respiração fica curta, o pensamento corre mais rápido, o estômago embrulha, as mãos suam. Não é exagero. Não é drama. É um sistema inteiro entrando em ação para nos proteger com antecedência.
De onde ela vem?
A ansiedade faz parte da nossa programação biológica. Lá atrás, quando nossos ancestrais viviam em ambientes hostis, esse sistema era essencial para a sobrevivência. Era ele que fazia alguém correr ao ver um animal perigoso ou se preparar para enfrentar um risco.
Hoje, não precisamos fugir de predadores com tanta frequência. O problema é que nosso cérebro não distingue muito bem uma ameaça real de uma ameaça imaginada.
Então, uma prova importante, falar em público, decepcionar alguém, pensar no futuro ou perder o controle… tudo isso pode ser interpretado como risco. E o corpo reage como se a vida estivesse em jogo. É por isso que, às vezes, você se sente ansioso(a) mesmo quando “está tudo bem”.
A ansiedade não é vilã
Existe uma ideia muito difundida de que a ansiedade é algo que precisa ser eliminada. Mas a verdade é que algum nível de ansiedade é saudável e necessário. Ela nos ajuda a nos preparar, a planejar, a ter cuidado, a dar importância ao que importa.
Sem ansiedade, talvez você não estudasse para algo importante, não revisasse um trabalho, não atravessasse a rua com atenção. Ela também protege.
O problema surge quando esse alarme fica sensível demais e dispara o tempo todo, mesmo sem incêndio. Ou quando ela aparece em uma intensidade desproporcional à situação. Aí, a ansiedade deixa de ajudar e começa a atrapalhar.
Quando a ansiedade sai do controle
Quando desregulada, a ansiedade pode interferir no sono, na concentração, no desempenho profissional, nas relações e até na forma como você se enxerga, se avaliando como fraco(a) e incapaz.
Mas deixa eu te dizer uma coisa importante: isso não é falha sua, nem falta de força. É um sistema de proteção funcionando de maneira exagerada.
A boa notícia é que isso pode ser ajustado.
O tratamento para ansiedade não busca “desligar” esse sistema, pois como você viu, ele é necessário até mesmo para sua sobrevivência, mas busca ensiná-lo a funcionar de forma mais equilibrada. A ansiedade deixa de ser um monstro e passa a ser um sinal. Algo que pode ser escutado, compreendido e acolhido.
O que fazer?
Se você se identificou com tudo isso, talvez seja o momento de não enfrentar isso sozinho(a). Um psicólogo especialista em ansiedade pode te ajudar a entender o que está por trás dos seus sintomas e a construir um caminho mais leve.
A terapia para ansiedade, seja presencial ou por terapia online, é um espaço seguro para olhar para si, sem julgamentos, no seu tempo. Se a ansiedade tem sido companhia constante na sua vida, saiba: existe ajuda, existe caminho, existe alívio. Você não está sozinho, certo?
