Você consegue lembrar da última vez em que a ansiedade apareceu com força? Talvez o coração tenha acelerado, o estômago tenha embrulhado, a respiração ficado curta. Mas, se você prestar atenção, a parte mais barulhenta não estava no corpo… estava na mente!
Uma mente ansiosa funciona como um cinema interno que nunca desliga. Ela cria cenas, diálogos, previsões e histórias inteiras em poucos segundos. E o detalhe mais importante: esses “filmes” costumam ser aceitos como verdades absolutas, sem questionamento, quando na verdade, são bem questionáveis. Você vai entender o porquê.
A ansiedade quase nunca vem sozinha. Ela chega acompanhada de pensamentos. E é aqui que entra uma ideia central da Terapia Cognitivo-Comportamental, que é uma das linhas de tratamento da psicologia mais eficientes para ansiedade:
Não é exatamente o que acontece que nos afeta, mas a forma como interpretamos o que acontece.
Pense em um triângulo simples. Em um canto, o pensamento. No outro, a emoção. No terceiro, o comportamento. Eles se influenciam o tempo todo.
Por exemplo:
“Vou falhar na apresentação.” (pensamento)
Surge o medo, a tensão, a ansiedade. (emoção)
Você adia, evita, procrastina. (comportamento)
O problema é que esse ciclo se retroalimenta. Ao evitar, sua mente entende: “Viu? Eu não daria conta mesmo.” E a ansiedade volta ainda mais forte da próxima vez.
Esses tipos de pensamentos aparecem de forma automática. São rápidos, involuntários, quase invisíveis. Muitas vezes você nem percebe o pensamento, só sente o impacto emocional. Dentro de uma mente ansiosa, eles costumam girar em torno de perigo, perda de controle e catástrofes futuras:
“E se eu travar?”
“E se eu passar mal?”
“E se tudo der errado?”
“Não vou conseguir.”
É como se a mente estivesse o tempo todo procurando ameaças, mesmo quando você está relativamente seguro(a).
Esses pensamentos passam por filtros que distorcem a realidade. Imagine usar óculos embaçados: o mundo continua o mesmo, mas a visão fica distorcida. A ansiedade usa lentes assim. Ela exagera riscos, ignora evidências positivas, prevê o pior cenário e trata possibilidades como certezas.
Nada disso significa fraqueza ou defeito. São hábitos mentais aprendidos, muitas vezes lá atrás, quando ficar alerta ajudava a sobreviver. O problema é que esse sistema continua funcionando mesmo quando não é mais necessário.
A boa notícia é que hábitos podem ser modificados. O tratamento para ansiedade não tenta silenciar a mente à força, mas ensinar você a observá-la com mais consciência. Desenvolver essa habilidade é como sair do palco dos pensamentos e sentar na plateia para assistir. Você percebe:
“Isso é um pensamento, não um fato.”
Nesse processo, a terapia para ansiedade ajuda a identificar padrões, questionar distorções e construir formas mais realistas e gentis de pensar. Um psicólogo especialista em ansiedade pode te acompanhar nesse caminho, seja em terapia online ou presencial, respeitando seu ritmo.
Se você convive com ansiedade, talvez não seja sua mente que está “quebrada”, mas apenas cansada de carregar alarmes o tempo todo. Aprender como ela funciona é o primeiro passo para aliviar esse peso.