Se a ansiedade faz parte da sua vida, deixa eu te contar algo importante, e talvez libertador: muitas vezes, não é a realidade que está te causando sofrimento, é a forma como sua mente está te contando essa realidade. Vou te explicar!
Uma mente ansiosa funciona como um narrador alarmista. Ela não apenas descreve os fatos, ela interpreta, exagera, antecipa e cria histórias completas antes mesmo das coisas acontecerem. E o pior: costuma fazer isso com tanta convicção que você acredita sem questionar.
É assim que a ansiedade ganha força.
Dentro da Terapia Cognitivo-Comportamental, entendemos que entre o que acontece e o que você sente existe um passo silencioso: o pensamento. Não é necessariamente a situação que te faz sentir as emoções, mas também o que você pensa sobre aquela situação (mesmo que você sequer perceba que o pensamento está ali). E quando esse pensamento vem distorcido, a emoção vem intensa.
Por isso, se sua ansiedade é intensa, provavelmente a interpretação que sua mente faz das situações está distorcida.
Vou te apresentar as principais “armadilhas” que uma mente ansiosa costuma usar. Talvez você perceba que sofre com alguns desses erros de interpretação.
1. Catastrofização: o especialista em finais trágicos
Aqui, a mente pega um detalhe pequeno e transforma em desastre.
Um aperto no peito vira “vou ter um infarto”.
Um erro no trabalho vira “vou ser demitido”.
Um término vira “nunca mais vou ser feliz”.
A mente ansiosa pula direto para o pior cenário possível, mesmo quando a chance disso acontecer é mínima. Ela trata possibilidade como certeza.
2. Adivinhação do futuro: a falsa bola de cristal
Nesse caso, sua mente age como se tivesse o poder de prever o amanhã, sempre da pior forma.
“Tenho certeza que vou travar.”
“Sei que ninguém vai gostar de mim.”
“Essa conversa vai dar errado.”
Percebe? Não há provas, só previsões negativas que são aceitas como verdades absolutas.
3. Filtro mental: enxergar o mundo por um canudo
Aqui, tudo que é positivo desaparece. A mente escolhe um detalhe ruim e ignora o resto.
Você recebe dez elogios e uma crítica, e só a crítica ecoa.
Teve um dia bom, mas algo deu errado no final, e o dia inteiro vira “péssimo”.
É como se a ansiedade dissesse: “Não importa o que deu certo, olha isso aqui que deu errado.”
4. Pensamento tudo ou nada: sem tons de cinza
Para a mente ansiosa, só existem extremos.
Ou sucesso total, ou fracasso absoluto.
Ou controle completo, ou desastre.
Comeu algo fora da dieta? “Estraguei tudo.”
Não foi perfeito? “Sou incompetente.”
A complexidade da vida simplesmente desaparece.
5. Duplo padrão: dureza consigo, gentileza com os outros
Quando alguém erra, você entende.
Quando você erra, se acusa.
Para os outros: “Foi só um erro.”
Para você: “Isso prova que eu não sou capaz.”
A régua que você usa consigo mesmo(a) é sempre mais cruel.
Essas distorções não são defeitos. São hábitos mentais aprendidos e reforçados ao longo do tempo, especialmente em pessoas com ansiedade. A mente tenta proteger, mas acaba exagerando os riscos.
O tratamento para ansiedade ajuda justamente nisso: aprender a reconhecer quando sua mente está distorcendo a realidade e criar um espaço entre você e esses pensamentos. Um psicólogo especialista em ansiedade pode te ajudar a desenvolver esse olhar mais crítico e mais gentil.
Quando você começa a perceber “isso é minha mente catastrofizando de novo”, algo muda. A ansiedade perde força. E você deixa de acreditar em tudo o que ela te diz.
Sua mente pode te enganar, mas você pode aprender a não ser refém dela!